terça-feira, 6 de julho de 2010

Olhares Urbanos




A neurose do cotidiano se alastra. Nada mais choca. Nada mais é surpresa. Como se não tivesse mais nada de sedutor no mundo. Só vejo olhares nervosos, imparciais e hostis. Esses são os olhares urbanos. Que perdeu o brilho. Alheios a crueldade diária do homem. Olhos que perderam a capacidade de sensibilizar-se com o que ainda tem de belo nesse mundo torto mas preciso. E essa massa segue. Como zumbis do caos estabelecido. Da pressa. Ninguém mais enxerga. Nem tão pouco se vêem. Ninguém questiona. Ninguém grita. Ninguém mais reflete. Com se estivessem emergindo aonde nem mesmo sei. O povo só aplaude. Aplaude tudo. Aplaudem demais. E cadê esse espetáculo?. É certo que fazemos parte de um sistema que segrega e é excludente. Que não perdoa. Mas temos que resistir. Precisamos levantar uma bandeira. Seja ela qual for. Contanto que revele o que ainda temos de humano, de verdade, de dignidade. Se isso parece discurso utópico, se perdermos a utopia, o que será meus caros, dos olhares de amanhã?

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